25 novembro 2013
A culpa da minha ansiedade é toda sua. Tic tac tic tac tic tac, batendo no meu peito a conta-gotas. Quero inverter a cronologia das coisas e chegar logo ao final. Quero ver se encontrei aquele amor pra vida toda, se ele me amou cada dia mais. Quero saber como foi o dia do nosso casamento e se a gente continuou se olhando com o mesmo olhar. Quero saber que rosto tiveram os nossos filhos e quantos foram os filhos a quem eu tive que ensinar a andar. Mas você me faz esperar tanto, com uma paciência que eu perdi em algum lugar. 

Quero saber se larguei aquele emprego infeliz pra fazer a tal viagem mirabolante, para aquele lugar desconhecido. Quero saber se tive coragem para isso, por que eu me sinto sempre tão covarde. Quero saber quanta sabedoria acumulei e se finalmente um dia minha mãe veio para perto de mim. Mas você não me dá essa chance, me deixa na angústia de não saber o próximo capítulo desse livro. E é por isso que eu te culpo.

Quero saber quem dividiu a varanda comigo, segurando em silêncio a minha mão. Quero saber quem de nós dois, depois ficou sozinho, e se eu finalmente encontrei um cãozinho que morasse comigo. Quero saber se fui feliz para sempre, se valeu a pena o esforço e a dor, quero saber se aprendi a domar o coração.

Quero saber se encontrei, pelo menos metade, das respostas que procurei, ou se continuei uma questionadora incansável, quero saber se um dia minha cabeça me deu paz de tanta indagação. Sabe o que eu quero saber também? Quando que você vai acelerar o passo, adiantar esses ponteiros e me deixar saber se tudo deu certo, ou não.

Quero saber se peguei o melhor caminho e se troquei aquele carro velho, que era o meu xodó. Quero saber quantas pessoas permaneceram comigo e quantas não. Quero saber quantas coisas deixei inacabadas, quantos medos adquiri ou superei. E o medo de avião? Será que eu deixei? Acho que você poderia me adiantar uns dias para eu saber que gosto tem o amanhã.

Quero saber se virei um barro duro que não molda e ninguém acerta a mão, ou se continuei mudando e me surpreendendo com as novas imagens que vejo no espelho, quero saber quantas novas rugas brotaram dos meus olhos e quantas lágrimas também. Quero saber se consegui, finalmente, dormir direito, se coloquei a felicidade no lugar da frustração e se um dia eu tive coragem de tirar os sonhos do travesseiro. Quero saber.

Mas você continua o seu caminho e, porra, como você anda devagar. Não que eu tenha pressa na velhice, mas eu só queria ir lá no fim e voltar. Só pra acabar com a ansiedade e saber se tudo correu bem.

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Quem sou eu

Oi, eu sou a Stephany Poubel e esse é oficialmente meu cantinho na internet. Hoje tenho 20 anos e moro no Rio de Janeiro. Sou formada em Gestão de Recursos Humanos, mas meu sonho mesmo é ser escritora. Minha vida às vezes parece roteiro de filme e eu adoro escrever, sempre gostei de compartilhar com outras pessoas o bom da vida. Sou apaixonada por musculação, porém minha dieta não é totalmente balanceada. Minha base é minha família, porém são eles que me apoiam. Meu blog se transformou num lugar onde compartilho as coisas mais legais que vejo por aí, e sempre serei uma eterna aprendiz!

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